Quarta-feira, Setembro 21, 2005

Auschwitz (update)


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Morreu Simon Wiesenthal, sobrevivente de vários campos de concentração e responsável por ter lavado à justiça mais de 1100 criminosos nazis.
Oiço a notícia e agitam-se em mim imagens recentes de uma visita aos guetos de Cracóvia e Varsóvia, ao Museu Powstania Warszawskiego e a Auschwitz, também. Fazer este percurso implica decidir entre dias leves e horas de repulsa que nos acompanham o resto da viagem. A minha opção decorreu da vontade de inscrever na memória pessoal um tempo de horror que não queremos reviver e que, por isso mesmo, importa lembrar. Porque aquilo por que passaram judeus, ciganos, homossexuais, padres, testemunhas de jeová, líderes políticos polacos, entre outros e outras, foi ainda mais duro do que filmes e livros podem projectar. Porque a crueldade se supera a si própria. E a despossessão foi total.
À entrada do campo, lê-se "O Trabalho Liberta". Acumulam-se roupas, óculos, panelas, escovas de dentes e de fato, pinceis de barba e próteses. No campo não se é pessoa, parafraseando Primo Levi. Duplo arame farpado, torre de vigilância e ameaça, ao lado do Bloco 11 onde se realizavam experiências médicas em crianças e execuções sumárias.

Dizem os zapatistas, a propósito do seu líder, que Marcos é "um palestino em Israel, um judeu na Alemanha. [...] Assim é Marcos, tão humano como qualquer outro neste mundo. Marcos é todas as pessoas exploradas, marginalizadas, as minorias oprimidas, resistindo e dizendo: - Basta!". E foi justamente assim que me senti em Auschwitz - as lições de uma História que revela a fragilidade das convicções e a inevitabilidade dos contextos.

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