Terça-feira, Setembro 27, 2005

Co-dependência



Éramos um grupo de 8 naquele aeroporto. Depois do check-in, espalhámo-nos entre os perfumes da Duty Free, o WC e os restos de uma pizza fria do jantar. Subitamente chegou o momento. Era a última chamada. Apressámos o passo, as mochilas, as compras e os corpos para o portão de embarque. Mas havia fila. Lá ficámos, descansados pela manifesta partilha do atraso com vários outros/as passageiros/as. Quando chegou a nossa vez, fomos sacudidos pelo aviso da mulher de farda azul ao fundo do corredor: Despachem-se, vocês já são os últimos!! Lembro-me de correr, por instinto. Afinal, ninguém quer ficar por último. É feio. Arruina-nos a imagem. Claro. Até que alguém replicou: Há mais gente atrás de nós...
Regressámos aos mesmos passos espaçados. Tudo estava bem. E foi aí que me ocorreu. Precisamos sempre dos últimos. Não seríamos ninguém sem aqueles/as que perdem, um avião, um amor ou um concurso. São os "falhados da vida" que nos concedem vitórias. São os/as perdedores/as que nos acalentam a esperança. No fundo, o mérito é todo deles/as, ou nosso, quando nos atrasamos, salvando alguém de chegar por último. Ou de amar por último.
Ai de nós sem as comparações.

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